Intolerância Religiosa (Apresentação)

 



INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
APRESENTAÇÃO


Muitos elementos de nosso cotidiano nos separam do passado. Quando assistimos a um filme ou lemos um livro que retrata a realidade de séculos anteriores, principalmente quando abordam situações de violência, de desrespeito e de desvalorização da vida, costumamos pensar que vivemos em uma época de liberdades, em que muitas situações do passado não seriam mais permitidas. Por mais que essa reflexão possa estar certa em alguns sentidos, ela não deve ser utilizada para ignorar a existência de violências, desvalorização e desrespeito em nossos tempos. Há, certamente, formas de violências que deixaram de existir, assim como há outras novas que surgiram e ainda algumas que se modificaram. Pensaremos nessa mudança a partir das Intolerância Religiosa.


Essa intolerância é uma realidade dos nossos tempos. Ela está na violência física com que são tratados(as) fiéis em algumas doutrinas, bem como a de templos e objetos que fazem a referência. A Intolerância Religiosa também está em expressões populares, em piadas e gracejos e em muitas formas de não aceitar e de retirar a importância ou validade do que é "sagrado" para o outro. Essa segunda forma pode não parecer tão séria quanto a primeira, no entanto é um meio de garantir a continuidade desse problema social, isso porque a intolerância religiosa não surgiu do nada nem se reproduz pelo nada. Em outras palavras, podemos dizer que a intolerância religiosa de nossos tempos possui não só uma história, mas também diversas estruturas que garantem a sua continuidade.


Durante estes capítulos, viajaremos por alguns momentos da história da humanidade, atentos aos caminhos de Intolerância Religiosa. Perceberemos mudanças e permanências e duvidaremos, em alguns momentos, se fomos realmente capazes de nós distanciar das intolerâncias religiosas que foram cometidas no passado. Mas os caminhos não são finalizados diante da percepção de que essa realidade não pode ser solucionada, pois, em oposição a isso, apontamos para caminhos que são ainda melhores que os da tolerância, os caminhos do respeito e do desejo de conhecimento, em que o outro e as suas diferenças não são percebidos como adversários, e sim como uma fonte de aprendizado e de melhora, para nós e para o mundo. No lugar de perguntar como alguém pode crer em algo diferente de que creio, preferimos perguntar: o que eu posso aprender com a crença dos demais?

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