“Morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” (1Cor 15,55). É assim que a Escritura nos recorda da verdade que o mundo esquece: a morte não é o fim, mas a porta da eternidade. O cristão que crê em Cristo, que confessa sua ressurreição e sua vitória sobre o túmulo, não pode se deixar dominar pelo desespero diante da partida. Pois, se para os que não têm fé a morte parece escuridão, para os que vivem em Cristo ela é apenas a passagem para a luz que não se apaga.
O problema é que, quando falamos em sermões ou reflexões, proclamamos com convicção: “não temam a morte, alegrem-se, pois Cristo venceu!”. Mas, quando a morte visita nossa casa e leva um familiar, a tristeza toma conta e quase esquecemos aquilo que pregamos. Essa contradição mostra o quanto ainda estamos agarrados às coisas terrenas. Amamos a promessa, mas temos dificuldade de deixá-la penetrar no coração.
Não é que o luto não exista, nem que a dor não seja legítima. Jesus chorou diante da morte de Lázaro. Mas a diferença está no modo como vivemos esse luto. O choro do cristão não deve ser de quem perdeu tudo, mas de quem se despede por um tempo até o reencontro. Se de fato cremos que nossos entes queridos descansam em Cristo, que sentido há em nos desesperarmos? Por que proclamamos no Credo “creio na ressurreição da carne e na vida eterna” se, na prática, vivemos como se fosse apenas uma frase bonita e não uma verdade absoluta?
O cristão deve viver de modo coerente: se a fé diz que a morte é encontro com o Senhor, então o coração deve aprender a ver na partida de cada irmão a realização da esperança. Que nossas lágrimas não sejam de quem não tem fé, mas de quem confia que, depois da brevidade desta vida, encontraremos novamente aqueles que se foram, e juntos contemplaremos o Cristo face a face. Não podemos temer aquilo que, na verdade, é a consumação da promessa. A morte, para o cristão, não é derrota, é vitória. E se acreditamos nisso, não devemos viver como os que duvidam, mas como os que esperam confiantes pelo grande dia do Senhor.