Há muitos que sonham com a vida eterna, mas se recusam a esperar em Cristo. Querem o Céu sem o Caminho, a salvação sem o Salvador, a promessa sem Aquele que a prometeu. É um paradoxo quase cego: desejar o destino mais sublime sem aceitar quem o conduz até lá. É como os passageiros de um ônibus que entram porque desejam chegar a um lugar melhor, mas ignoram a figura do motorista e desprezam o próprio veículo. Nenhum passageiro vai até a rodoviária por amor ao motorista ou por fascínio pelo ônibus; todos buscam o destino. Contudo, sem motorista e sem ônibus, ninguém chega a lugar algum.
Assim também é Cristo: Ele é o Caminho e não apenas a placa indicando o rumo. Ele é a Porta e não apenas a chave. Esperar a vida eterna sem esperar n’Ele é desejar um fim sem meio, um destino sem estrada. A glória eterna não é uma conquista solitária do homem, mas uma dádiva conduzida por Aquele que tomou sobre si o peso da cruz e carrega a humanidade como o ônibus suporta o peso de cada passageiro. Ignorar Cristo, mas ainda assim desejar a eternidade, é tão incoerente quanto acreditar que se chegará ao destino sentado no chão da rua, sem veículo e sem condutor. A esperança verdadeira não é no lugar, mas n’Aquele que leva até lá.