INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
COMEÇO DE CONVERSA - PARTE 2
CAPÍTULO 1
Em outras palavras, toda sociedade, ao viver a sua época, vive o que há de mais atual para seu tempo e, nessa atualidade, o que há de mais moderno e desenvolvido. Na verdade, um bom número de justificativas que poderiam ser dadas em defesa da menina acusada de bruxaria levaria em consideração saberes da nossa época, como a ideia de imunidade e a de anticorpos, totalmente desconhecidas no século XV.
Para a época, o combate à bruxaria representava uma importante novidade, pois indicava que a sociedade estava no caminho de superar o atraso do paganismo, opondo conhecimentos inferiores e pecaminosos aos conhecimentos cristãos. A capacidade de separar o cristão do pagão era, naquele momento, uma marca de desenvolvimento e de construção de uma sociedade mais "justa" e "segura".
O olhar lançado para o passado faz parecer que quem viveu naquelas épocas viveu em um tempo de atraso e ignorância. O termo Idade Média, por exemplo, foi criado no século XVI para se referir ao intervalo de tempo entre os séculos V e XV, aproximadamente, indicando que esse período, também já chamado de Idade das Trevas, foi um momento sombrio e sem muita importância entre os dois períodos grandiosos: a Antiguidade Clássica, incluindo sociedades como Grécia e Roma, e o Renascentismo.
Ao continuar com esse raciocínio, entretanto poderemos perceber que, certamente, quem viveu no período conhecido como Idade Média não concordaria que este era apenas um momento sem graça entre os dois períodos importantes. Não acharia, por exemplo, que as produções culturais, a política, a religião e a organização econômica eram de pouca importância.
