Confiança

 

SERÁ MESMO QUE EU DEVO CONFIAR EM VOCÊ?


Do latim confidere, que significa “ter fé junto com”. É mais do que acreditar, é colocar o coração em repouso diante do incerto. Quando alguém confia, não apenas pensa que algo vai dar certo, mas entrega a própria paz a essa possibilidade. Confiar é abrir mão do controle, é dizer: “mesmo que eu não veja, continuo a caminhar”. É um ato que une razão e alma, pois a mente reconhece os riscos, mas o espírito decide seguir mesmo assim.


A confiança uma virtude que sustenta relacionamentos, decisões e também a fé. Sem ela, a vida se torna uma série de cálculos e defesas, e o coração se transforma em um cofre trancado. Confiar é acreditar que há algo de bom no invisível, que o mundo não é apenas o que se vê, mas também o que se espera com esperança. É um estado de abandono consciente, uma escolha de descansar no que não se pode provar.


Pense num barco em mar aberto. O marinheiro não controla as águas, nem o vento, nem o destino final. Ele apenas prepara o casco, ajusta as velas e parte. A confiança está nesse partir, nesse momento em que o medo poderia deter, mas a confiança o impulsiona. O mar pode se agitar, o horizonte pode sumir, mas o marinheiro não desiste, porque confia que as correntes que o empurram também o conduzem. Assim é na vida: muitas vezes não sabemos se o barco vai suportar ou se o porto está próximo, mas é na confiança que encontramos sentido para seguir navegando.


E confiar não é ingenuidade. É maturidade espiritual. É saber que o mundo nem sempre será favorável, que as pessoas podem falhar e que a dor pode chegar, e ainda assim escolher não endurecer o coração. Quem confia aprende que a segurança não está nas circunstâncias.


Enfim, a confiança é o chão dos que caminham na fé. É a bússola dos que não veem, mas sabem para onde ir. E então, mesmo que a noite caia e o mar pareça sem fim, a alma repousa, porque sabe que o mesmo Deus que guia o barco também acalma as ondas.

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato