Sonhos

 O ser humano é um eterno sonhador. Desde criança, quando fecha os olhos e imagina o que será quando crescer, até a velhice, quando já não resta tanto tempo, mas o coração ainda insiste em desejar, em esperar, em sonhar. Os sonhos pessoais, no entanto, correm sempre o risco de serem pequenos demais diante da grandeza para a qual fomos criados. Queremos uma profissão estável, uma família feliz, uma casa confortável, reconhecimento e aplausos. Nada disso é ruim, mas se para aí, o sonho se torna estreito, limitado, incapaz de preencher o coração. Porque, no fundo, o homem só será feliz quando seus sonhos estiverem em sintonia com os sonhos de Deus.


Deus também sonha. Ele sonha conosco e para nós. O sonho de Deus não é feito de ilusões, mas de eternidade. Ele não sonha com nossa vaidade satisfeita, mas com nossa salvação alcançada. O sonho de Deus não é que sejamos grandes aos olhos do mundo, mas que sejamos santos aos Seus olhos. Isso nos obriga a pensar: até que ponto nossos projetos pessoais estão afinados com o que Deus deseja? De que adianta conquistar tudo o que almejamos, se no fim descobrirmos que lutamos por algo que não nos trouxe à verdadeira vida? Um coração sábio sabe entregar seus planos ao Senhor, dizendo: “Faça-se em mim segundo a Tua vontade”.


E aqui entra a oração. Porque sem oração, o homem vive perdido em meio a seus próprios desejos. O bom orante não é apenas quem fala com Deus, mas quem permite que Deus fale com ele. É alguém que não transforma a oração em uma lista de supermercado de pedidos, mas em um espaço de escuta, de silêncio, de entrega. O bom orante é como um oleiro que se deixa moldar. Ele apresenta seus sonhos, mas não os segura com teimosia infantil; coloca-os no altar e deixa que o Espírito Santo purifique, corrija, aperfeiçoe. Muitos dizem: “Tenho fé”, mas poucos sabem o que é rezar com profundidade, deixar-se transformar pela oração até que os desejos do coração humano coincidam com o coração divino.


O futuro, esse território desconhecido que tanto nos causa medo e expectativa, já está visto e conhecido por Deus. Ele sabe por onde caminharemos, sabe quais pedras encontraremos no caminho, sabe até mesmo dos tropeços que ainda nem aconteceram. Por isso, o cristão não deve temer o amanhã. Ele não é chamado a viver de ansiedade, mas de confiança. Trabalhar e lutar como se tudo dependesse de nós, mas rezar e esperar como se tudo dependesse de Deus. Esse é o equilíbrio da vida espiritual: esforço humano e graça divina caminhando juntos.


Um homem que reza bem nunca fica prisioneiro do presente. Ele não enxerga apenas o imediato, porque seus olhos já estão fixos no horizonte da eternidade. Ele sabe que cada esforço, cada renúncia, cada oração, cada sonho colocado diante de Deus, tem um peso que ultrapassa esta vida. Por isso, o bom orante é um visionário. Ele não se contenta com uma vida de comodidade, mas busca uma vida que tenha sentido aos olhos de Deus. Ele sabe que a verdadeira vitória não é conquistar o que o mundo chama de sucesso, mas alcançar o Céu, onde todos os sonhos finalmente se realizam, porque lá não há mais frustração, só plenitude.


No fim, o maior sonho humano deveria ser apenas um: coincidir com o sonho de Deus. Que Ele seja o centro, que Ele seja o guia, que Ele seja a medida dos nossos desejos. Porque quando isso acontece, não há medo do futuro, não há angústia diante do tempo, não há vazio nas conquistas humanas. O coração se pacifica, porque sabe que está caminhando para o destino certo. O bom orante vive assim: de joelhos, mas com os olhos erguidos; humilde na terra, mas com a alma apontada para o Céu. Essa é a síntese da vida cristã: sonhar com Deus, rezar com confiança e caminhar sem medo, porque o futuro já está nas mãos do Pai que nunca falha.


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